Gato Fedorento

domingo, outubro 05, 2003

INCONVENIÊNCIAS:

- Lamento muito, mas o senhor só tem seis meses de vida.
- Seis meses? Ora, estamos em Novembro, Dezembro, Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio. Então, vou morrer em Maio...
- Aproximadamente, sim.
- E não há hipótese nenhuma do sôtor me prolongar a vida, digamos... por mais um mês?
- Infelizmente, não.
- Irra, é mau demais para ser verdade.
- Mas sabe que, um mês antes ou um mês depois, uma pessoa nunca está preparada para morrer?
- Eu sei. Só que o azar é tanto que o Campeonato da Europa só começa em Junho, pá. Nunca tive sorte na vida...


MG
posted by Gato 9:31 da tarde

AINDA A NEVE: Há dias escrevi aqui sobre a “neve”. O texto não passou despercebido junto a alguns exemplares do “radicalismo radical”, que não apreciaram o comentário. Os radicais radicais são os puristas dos desportos radicais. São-no do surf, do skate, da neve, do caiaque. Viajam pelo mundo inteiro à procura da onda perfeita, da montanha mais íngreme, dos rápidos mais rápidos. Ele são três meses na Nova Zelândia, duas semanas nos Alpes, uma temporada no Hawai... Com tanta viagem parece-me óbvio porque é que o símbolo internacional da tribo são os dedos em forma de par de cornos. Enquanto eles estão ausentes numa expedição de surf no Sudeste Asiático, está um tipo qualquer a comer-lhes a mulher. ZDQ
posted by Gato 8:29 da tarde

quinta-feira, outubro 02, 2003

A TERESA GUILHERME É O PIPI! Estive a ver o Big Brother e não tenho dúvidas. Tanta analogia obscena, tanta verve badalhoca, tanto trocadilho brejeiro! A Teresa Guilherme é o verdadeiro “google” da ordinarice. Um concorrente introduz na conversa algumas palavras-chave ao acaso e ela, que tem um motor de busca javardo, encontra imediatamente uma série de conotações sexuais passíveis de dar aos termos.
Se à saída da Casa uma concorrente disser: “Cresci muito lá dentro.” Logo a Teresa returque: “Aha! Naquela noite, no chuveiro, também houve muita coisa a crescer dentro de si!” Se, no confessionário, um deles chora: “Não sei o que é que se passa comigo!” Ela é capaz de dizer: “Sim, mas sabe quem é que o gostaria de passar a pano?”
Não sei como é que a TVI ainda não pediu à Teresa Guilherme para fazer umas reportagens para o Jornal Nacional, a ver se dá algum cariz sexual às notícias (às duas que ainda não o têm, claro). Nos incêndios, por exemplo: “Então sr. Bombeiro, isto está mal?” “Está D. Teresa, está tudo em brasa!” “Isso vejo eu, que você está em brasa! Por isso é que está todo ofegante e a segurar a mangueira!” “Não, D. Teresa, isto é para pôr água nas chamas!” “Água nas chamas ou nas mamas? Você quer é fazer de mim Miss T-Shirt Molhada!”
E entra a Manuela Moura Guedes: “Ó Teresa, pergunta aí ao bombeiro se foi ele que vendeu a mangueira aos bombeiros...” Era giro.
Aprecio esta capacidade – ímpar na televisão portuguesa – do improviso brejeiro. Se a visse, dizia-lhe: “Tiro-lhe o chapéu, Teresa.” E a Teresa responderia: “Que peça de roupa mais é que tira?” “Não vamos por aí”, diria eu. “Então por onde é que se quer vir? “Esqueça, Teresa...” E ela: “Aha! Esquecer é de quem come queijo. Queijo é uma comida que cheira mal. Como o bacalhau e... ZDQ

posted by Gato 1:26 da manhã

quarta-feira, outubro 01, 2003

THERE'S NO BUSINESS LIKE SHOW BUSINESS: Passeio na Baixa. Uma rapariga (julgo eu) faz malabarismos com três bolas. O seu sócio aproxima-se, boné estendido. "Não quer dar nada para os artistas?", pergunta o jovem. "Claro que quero!", digo eu. "Onde é que eles estão?" Ele vai-se embora a praguejar em estrangeiro. ZDQ
posted by Gato 3:02 da manhã

terça-feira, setembro 30, 2003

NEVE: O Verão acabou. O Inverno vai começar. (Ok, ainda não vai começar, mas faz de conta que sim, a bem deste comentário.) Com o frio, milhares de portugueses rumam aos picos da Europa em direcção à “neve” para praticarem desportos de Inverno – ou, como diz quem vive na “neve”, para se locomoverem.
Afinal, o que é que move o esquiador português? (além da força exercida sobre duas tabuinhas lisas, numa inclinação acentuada.) Mais do que uma semaninha de diversão ao ar livre, acho que, subconscientemente, o português vai à “neve” por uma questão de estatuto social. Não, não é para se identificar com os socialmente superiores. Pelo contrário. Não é o desejo de ser rico que o move, é o medo de ser pobre. Senão, vejamos.
Um português vai à neve e paga bem para: acordar todos os dias às 8 da manhã, viver num T0 com kitchenette, ir às compras e achar que é tudo caro, sofrer ao frio e à chuva enquanto enfrenta bichas sucessivas para apanhar dois ou três transportes diferentes – sempre lotados – até ao destino final. Ou seja, um português de classe média, média-alta, paga mais de cem contos por semana para experimentar viver como um português de classe baixa.
Quando volta, não é com sobranceria que anuncia a toda a gente que esteve na “neve”. É com compaixão. No fundo, o português vai à “neve” para se poder lembrar, durante o resto do ano, da sorte que tem. Aquilo que para os invejosos é um sinal de exibicionismo é, na realidade, um banho voluntário de humildade que se toma uma vez por ano. E isso é um asseio bonito. ZDQ
posted by Gato 12:37 da manhã

segunda-feira, setembro 29, 2003

TODA ARTILHADA: Há um fenómeno que me intriga, chamado tuning. Consiste em pegar num carro normal e, acrescentando-lhe topo o tipo de extras – jantes, ailerons, escapes especiais, etc –, transformá-lo num veículo capaz de ferir a vista ao Stevie Wonder e rebentar os tímpanos a metade da população chinesa. Bom, isto talvez seja exagero. A um terço da população chinesa, vá. A minha dúvida é esta: será que os adeptos do tuning estendem este conceito à sua vida privada? Se sim, como é que eles fazem com as mulheres? Palpita-me que o fã do tuning começa por escolher uma mulher bastante discreta. Não perdendo o paralelo com os carros, digamos que escolhe um modelo base: acessível e que não gaste muito. A partir daí, começa a investir também na senhora. Com o dinheiro que sobra dos vidros fumados (prioridades são prioridades), adquire umas unhas de porcelana e umas lentes de contacto coloridas para equipar a patroa. Pelo meio, vai poupando uns trocos para os quilos de base que a mulher gasta aos cem e, quando chega o subsídio de natal, é finalmente tempo do extra mais desejado: o implante de silicone nos seios, que é o equivalente àqueles chips que se põem no motor para dar mais cavalos. E é assim que o homem do tuning fica com uma esposa que descobriu num cabeleireiro de Massamá, é verdade, mas que podia perfeitamente ter descoberto numa casa de passe de Massamá. TD
posted by Gato 3:40 da tarde

FOI VOCÊ QUE PEDIU UMA DEMISSÃO? Uma das facetas mais ridículas da política portuguesa é a insistência com que, em certas ocasiões, a oposição exige a demissão de membros do governo. Ainda recentemente, Ferro Rodrigues mostrou que é um fã desta estratégia política. Ora, pedir a demissão de um ministro é como aquelas cenas dos filmes de acção, em que os polícias estão a perseguir um criminoso e gritam: “Pára! Larga a arma!” É certo que isto é dito de forma bastante persuasiva, mas não é suficiente para alguma vez ter convencido algum larápio.
Imaginemos que, na próxima deslocação do executivo à Assembleia da República, se assiste ao seguinte diálogo entre o chefe do executivo e o líder da oposição:

Ferro Rodrigues: Dr. Durão Barroso, o meu partido exige a demissão do Ministro do Ambiente.
Durão Barroso: Hum... Está bem.
Ferro Rodrigues: Perdão?
Durão Barroso: Está bem. Se Vossa Excelência acha que ele tem feito um mau trabalho, então vou demiti-lo. E mais?
Ferro Rodrigues: Mais?
Durão Barroso: Sim, homem! Quer mais alguma demissão?
Ferro Rodrigues: Bom, há o Ministro da Educação e o Ministro da Cultura.
Durão Barroso: Considere-os demitidos. E mais?
Ferro Rodrigues: Já que estamos com a mão na massa, também podia demitir o Ministro da Defesa, o da Agricultura e Pescas, o da Administração Interna, o dos Negócios Estrangeiros e o da Saúde.
Durão Barroso: Amanhã, estarão todos no desemprego. Só lhe quero é pedir uma coisa em troca.
Ferro Rodrigues: Diga, diga...
Durão Barroso: Eu, como primeiro-ministro, peço a sua demissão como líder do PS.
Ferro Rodrigues: Argh! (PARA OS SEUS COLEGAS DE BANCADA) Agora é que ele me lixou. Mas que golpe de mestre! Não estava nada à espera disto. (PARA DURÃO BARROSO) Parabéns, senhor primeiro-ministro! Vou-me retirar definitivamente deste plenário. Mas antes, permita-me que me despeça dos meus colegas de partido.
Durão Barroso: Faça favor...
Ferro Rodrigues: Peço a sua demissão como primeiro-ministro!
Durão Barroso: Apre!
Ferro Rodrigues: Ah, ah! Caiu que nem um patinho.
Durão Barroso: Boa estratégia! (PARA OS SEUS MINISTROS) E eu a julgar que o Ferro estava morto para a política... Bem, vamos convocar novas eleições.

MG
posted by Gato 3:16 da tarde

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Um blog com opiniões, nenhuma das quais devidamente fundamentada. Mantido por: Tiago Dores, Miguel Góis, Ricardo de Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela. E-mail: gatofedorento@hotmail.com

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