Gato Fedorento

domingo, junho 15, 2003

UMA COISA DE CADA VEZ, POR FAVOR: Numa altura em que o governo pretende legislar ao arrepio da Constituição Portuguesa (vide alguns artigos do Código do Trabalho), começar a falar de uma Constituição Europeia não será queimar etapas? Não deveríamos, primeiro, respeitar a que temos e, quando conseguíssemos atingir essa espinhosa meta, partir, então sim, para outro desafio? MG
posted by Gato 8:45 da tarde

VÊ-SE POUCA TELEVISÃO EM PORTUGAL: No último dia da Feira do Livro de Lisboa, os visitantes atropelavam-se nos corredores, acotovelavam-se junto aos stands e agitavam notas no ar para conseguir chamar a atenção dos vendedores. É inaceitável, mas aquilo mais parecia uma feira do que outra coisa. MG
posted by Gato 8:38 da tarde

VAI TER QUE AGUARDAR NA SALA DE ESPERA, AO LADO DO CHOQUE FISCAL: A imprensa desmistificou por completo os números apresentados pelo Ministro da Saúde sobre os supostos avanços no combate às listas de espera. Não só ficou provado que Luís Filipe Pereira anda a manipular a opinião pública, como é ponto assente que uma das mais propaladas promessas eleitorais deste executivo ficou, também ela, em lista de espera. MG
posted by Gato 8:35 da tarde

MAIS PAPISTA QUE O PRÓPRIO: Segundo o Expresso, o Papa, num apelo aos governantes, “referiu-se às uniões de facto e aos casais homossexuais, criticantdo a «mentalidade» que encoraja «estilos de vida que não são dignos do Homem»". Numa altura em que se fala tanto da quantidade de voltas ao Mundo que João Paulo II já deu, nas suas visitas, isto não me parece declaração de uma pessoa tão viajada. ZDQ
posted by Gato 7:12 da tarde

NÃO É BEM ASSIM, RAP: Na sua análise sobre a contenda Pedro Rolo Duarte vs Periférica, acho só que o RAP está a ser injusto para com as fotografias do DNA. Dentro das publicações que abusam das fotografias desenquadradas e desfocadas, o DNA é uma revista claramente superior. ZDQ
posted by Gato 7:09 da tarde

É PRECISO TER LATA: Pacheco Pereira diz no Abrupto que o blog é “neste momento o único meio de comunicação alternativo em que se pode livremente criticar os meios de comunicação social escrita e audiovisual. Por razões corporativas, os media tradicionais são muito avessos a essa crítica (...).” É muito bem observado. E ontem, quem leu o editorial de Pedro Rolo Duarte no DNA, assistiu a uma manifestação bastante violenta desse corporativismo. Pedro Rolo Duarte desanca a Periférica num texto involuntariamente cómico. Por exemplo, diz que a revista de Vilarelho tem “fotografias de parca qualidade” precisamente a propósito do número em que a Periférica publica a magnífica série “Royal Blood”, de Erwin Olaf. Em compensação, o DNA traz esta semana fotos de modelos envergando um “top sem costas em seda preto e branco microsaia estampado” ou um “vestido em crepe seda azul com branco efeitos drapeados”. Tudo isto porque “o tempo aquece e com ele as cores e os tons cálidos chamam por nós.”
Mais adiante, Rolo Duarte acusa a Periférica de não ter uma “estrutura editorial” nem uma “linha que a oriente”. Ora, quem pega na Periférica percebe que tem na mão uma revista literária: tem críticas, entrevistas (neste número, ao director da Granta e aos editores da Quasi), contos, poemas. Penso que a linha orientadora da revista está bem definida. Mas ofereço dinheiro a quem conseguir descortinar um fio condutor no DNA, que mistura entrevistas com crítica de sistemas de alta-fidelidade, crónicas desinteressantes com crítica literária (encurralada num espaço cada vez menor), e moda a armar ao moderno com pré-publicações. Esta semana, por exemplo, o DNA faz a pré-publicação do livro de Ana Bola. Não discuto a escolha da obra. Mas no sábado, dia em que o DNA “pré-publicou” um excerto de “Absolutamente Tias”, já o livro tinha saído e ia, aliás, na segunda edição. Chamar pré-publicação a isto é, no mínimo, ridículo.
Rolo Duarte diz ainda que a Periférica tem “meia-dúzia de colaboradores que «mostram» as suas redacções, um pouco à maneira dos «Jogos Florais»”. Recordo que quem diz isto é a mesma pessoa que dirige um suplemento onde escreve a própria irmã (assina com pseudónimo) e alguns amigos, dos quais se salvam poucos – como é o caso de MEC e Carlos Quevedo, por exemplo. E, por falar em jogos florais, repare-se no “Gosto não gosto” desta semana, escrito por Ana Zanatti, todo ele em verso: “Gosto do silêncio da paz e da harmonia dos iluminados. Não gosto da paz podre nem da agonia que se impinge aos mutilados. (...) Gosto de rimar pacto com intacto. Não gosto que me pisem o bico do sapato. (...) Gosto da natureza, intensa, viva, pujante. Não gosto da caça à árvore, à lebre, ao elefante. (...) Gosto de quem é leal e trata todos por igual. Não gosto de quem explora os fracos porque é muito mau sinal.” Bonito.
A ira desproporcionada de PRD tem um motivo claro: a Periférica, segundo ele, “ocupa parte do seu espaço arrasando, gozando, achincalhando, toda a imprensa portuguesa: do «Público» ao «Expresso», do «DNA» ao «Jornal de Letras».” Só para terem uma ideia, cito aqui o modo como, este mês, a redacção da Periférica arrasou, gozou e achincalhou o Expresso: “EXPRESSO: O jornal preferido dos sem-abrigo.” Malandros! Como se atrevem, aqueles miseráveis?! RAP
posted by Gato 3:43 da tarde

O QUE É UM BLOG?: Tenho evitado intervir nas discussões que Pacheco Pereira propõe. A razão é esta: li os dois primeiros volumes da biografia de Álvaro Cunhal, estou à espera dos próximos, e temo que o Abrupto lhe esteja a roubar tempo que poderia ser aplicado na escrita da obra. O segundo volume acompanha a vida de Cunhal até ao fim da década de 40, o que significa que só daqui a muitos anos poderemos ler os capítulos dedicados aos anos 70, altura em que as coisas vão começar a aquecer a sério. Teremos que esperar. Segundo me disseram, JPP leva um ano a redigir cada volume e depois o revisor da Temas e Debates precisa de dois anos para corrigir todas as gralhas e deslizes ortográficos (prometo que é a última piada sobre a ortografia de JPP).
Posto isto, perdido por cem, perdido por mil. Vamos ao debate.
Pacheco Pereira tem reflectido sobre a natureza do blog, defendendo que essa reflexão “é um instrumento essencial para se ultrapassar o «umbiguismo»”. Em primeiro lugar, penso que o “umbiguismo” não é característica exclusiva dos blogs. Há textos “umbiguistas por toda a imprensa, por exemplo. Em segundo lugar, penso que o “umbiguismo” dos blogs não é necessariamente mau. Em terceiro lugar, creio que nunca o ultrapassaremos – e que também isso não é necessariamente mau.
JPP diz que há dois tipos de “umbiguismo”: o que é “impulsionado pela forma do meio”, uma vez que os blogs têm “a estrutura de um diário”, e o que leva a que os blogs se fechem sobre si próprios e sobre a sua vizinhança, mantendo diálogos apenas com um grupo restrito de outros blogs. Ambos os fenómenos são naturais. Por um lado porque, de facto, os blogs têm uma estrutura semelhante à de um diário. Aliás, quando procuramos definir o que é um blog, talvez seja útil definir previamente o que um blog não é. E um blog não é, por exemplo, um jornal. Não tem uma linha editorial (ou não precisa de ter), nem respeita critérios de actualidade e relevância nos assuntos tratados (ou não precisa de respeitar). Há, no entanto, blogs que tentam marcar uma agenda. JPP cai nessa tentação muitas vezes. Ontem, lia-se em vários blogs esta reclamação: os 115 anos do nascimento de Fernando Pessoa quase não foram referidos na blogosfera portuguesa. É uma reclamação que me parece descabida, não só porque o número não é particularmente redondo (normalmente, assinala-se este tipo de data de 50 em 50 anos ou, no máximo, de 25 em 25), mas também porque os blogs não estão obrigados a registar efemérides. Para isso há outros meios, até mais fiáveis. Esta tentativa de marcar uma agenda, de indicar o assunto que seria mais pertinente abordar em cada altura é, creio, contrária ao espírito dos blogs. Nesse sentido, creio que Miguel Esteves Cardoso introduziu um aspecto importante que tinha escapado à sensibilidade, digamos, mais científica de Pacheco Pereira: a questão da beleza. De um modo geral, julgo que a prosa que encontramos nos blogs é melhor, mais elegante e mais viva do que a que lemos nos nossos jornais. E isso é uma das características que me agradam na blogosfera. O modo como os assuntos são tratados não é menos interessante do que a importância dos assuntos que são tratados. Interessa-me mais, por exemplo, saber o que fez o Alexandre Andrade (que não conheço) no dia de Stº António do que ler noutro blog uma nota sobre o facto de, nesse mesmo dia, há 115 anos, ter nascido Pessoa. De resto, nos livros (e em tudo, creio) acontece-me o mesmo. Prefiro o “Libertino passeia por Braga, a Idolátrica, o seu Esplendor” ao “Iraque - Assalto ao Médio Oriente”, do Chomsky, embora reconheça que é mais importante a guerra do Golfo do que as peripécias por que terá passado Luiz Pacheco no dia 16 ou 17 de Outubro de 1961, em Braga.
Por outro lado, é natural que os blogs mantenham diálogo com o restrito grupo de blogs com os quais têm afinidades (sejam elas quais forem). Mais natural ainda é que o diálogo que se mantém nos blogs não ultrapasse as fronteiras da blogosfera. Um dos motivos pelos quais os bloggers criam blogs é, justamente, o facto de os outros meios de comunicação lhes estarem vedados. É curioso notar que, se eu enviar uma carta para o Público discordando da crónica de JPP, possivelmente não obterei resposta. Mas é provável que JPP leia e comente este texto que escrevo aqui. Somos as mesmas duas pessoas, só muda o meio. Um permite o diálogo, o outro não.
A característica mais interessante dos blogs, para mim, é esta: um blog permite juntar a ponderação e o esmero da palavra escrita a um imediatismo que nenhum outro meio oferece. É uma possibilidade de ter conversas por escrito, digamos assim. [Voltarei a este assunto mais adiante. Temo que os nossos leitores achem esta questão aborrecida, por isso vou só colocar meia dúzia de posts com piadas sobre flatulência e já volto.] RAP
posted by Gato 2:54 da manhã

sábado, junho 14, 2003

QUANDO FOR GRANDE QUERO SER...: ... o Abel Barros Baptista. RAP
posted by Gato 6:44 da tarde

sexta-feira, junho 13, 2003

CARO LEITOR: Se veio aqui parar através do Blogo, depois de ter lido o editorial do José Manuel Fernandes, uma nota: não tem vergonha de ler os editoriais do José Manuel Fernandes? RAP
posted by Gato 10:58 da manhã

FÉRIAS: “Se queres conhecer um povo, observa o que faz nas férias”. É muito interessante, esta velha máxima grega. Em primeiro lugar, é interessante porque acaba de ser inventada por mim, facto que não deixa de ser notável numa velha máxima grega. No entanto, podia muito bem ter sido escrita na antiguidade clássica. Os gregos ocupavam boa parte dos seus dias a congeminar frases começadas por “Se queres conhecer um povo”, seguidas de um conselho inteligente. Sócrates costumava dizer aos seus discípulos: “Se queres conhecer um povo, faz uma limpeza profunda à minha casa de banho, esfregando com particular cuidado o rebordo do bidé.” (A propósito, é urgente um estudo sério sobre o modo como as repetidas faltas ao serviço da mulher-a-dias de Sócrates influenciaram a sua filosofia.)
Em segundo lugar, a máxima é interessante porque se aplica ao povo português melhor do que a qualquer outro. É uma diferença teleológica*, a que distingue as férias de um português das férias de um estrangeiro. O objectivo de um estrangeiro em férias é viajar para um país onde haja sol e deixar-se estar na praia até ficar escarlate. O objectivo de um português em férias é ultrapassar veículos longos em curvas. Ir para o Algarve não passa de um pretexto.

* Estou convencido que a palavra "teleológica" é usada muito menos vezes do que merece. RAP
posted by Gato 2:27 da manhã

SILICONE HILLS: A pertinente questão da nova apresentadora do Nutícias, levantada pelo MG, leva-me a arriscar a seguinte teoria: houve mais silicone envolvido no fabrico dos seios da ex-apresentadora, Paula Coelho, do que no fabrico do material informático que criou a nova apresentadora virtual. TD
posted by Gato 1:07 da manhã

SEREI EU QUE SOU DESCONFIADO? Ainda sobre a boneca virtual do Nutícias da SIC Radical, estive a estudar com rigor e método o corpo da pivot e ele pareceu-me algo desproporcionado. O que me deixa seriamente desconfiado que os seios dela não são naturais. MG
posted by Gato 12:25 da manhã

COMPARAÇÕES: Vi o noticiário da SIC Radical, agora apresentado por uma desinibida boneca virtual, que se despe integralmente (anda um informático a criar bonecas para isto!). O que é curioso é que ainda me lembro da Bárbara Guimarães como pivot do telejornal da TVI, e posso garantir que esta boneca lê as notícias de forma bem mais natural. MG
posted by Gato 12:18 da manhã

COLD DAY IN HELL: Todos os voos para o Brasil, República Dominicana e Cuba nas próximas semanas estão completamente esgotados. Vale tudo para fugir a este calor! TD
posted by Gato 12:07 da manhã

quinta-feira, junho 12, 2003

LISBOA, CAPITAL DA CULTURA 2003: Pedro Santana Lopes inaugurou ontem o Hard Rock Cafe em Lisboa. Segundo parece, fãs da “cultura” Hard Rock, alguns deles vindos propositadamente do estrangeiro, aglomeraram-se à entrada, juntamente com muitos alfacinhas que se preparavam para participar nas marchas de Santo António. Desconheço o que se passou em seguida, mas espero que esta gente tenha conversado muito uns com os outros. E de certeza que daí saíram coisas interessantíssimas. TD
posted by Gato 11:59 da tarde

AINDA A COLUNA: Não posso deixar de me juntar ao coro de apelos para que o Pedro Mexia e o Pedro Lomba retomem a Coluna Infame. Não há nada como o confronto de ideias para que as coisas avancem (arrisco-me a acrescentar um “para a frente”, só para enfatizar a ideia). E as ideias do Mexia e do Lomba, normalmente, entram em confronto com 75% do Gato Fedorento. Sim, porque os outros 25% correspondem ao ZDQ que, no universo do Gato Fedorento, ocupa como que uma zona de reserva protegida (tipo índio nos Estados Unidos, mas sem uma horda de gajos desejosos de passarem aquilo tudo a napalm). Ficamos portanto a aguardar o vosso regresso, para que possamos voltar a admirar pessoal de direita no seu habitat natural. TD
posted by Gato 11:26 da tarde

SANTOS ELITISTAS: Isto dos Santos Populares é muito giro, e tal, mas incomoda um bocado. Ele é a aglomeração de povo, ele é o cheiro a sardinha assada - por sinal, o peixe mais complicado de comer com as mãos sobre um pão - ele é as músicas brasileiras nos arraiais. Como alternativa aos Santos Populares, proponho a criação dos Santos Elitistas. Lagosta e champanhe em vez de sardinhas regadas a zurrapa. No entanto, todos terão lugar nestes Santos Elitistas. É preciso povo para servir à mesa. ZDQ
posted by Gato 11:24 da tarde

O RESPEITINHO É MUITO BONITO: No Mil Folhas do passado sábado vinha a lista de autores que iriam estar, por esses dias, a dar autógrafos na Feira do Livro. José Saramago, Lobo Antunes, Cláudio Ramos, enfim, todos os grandes nomes da nossa literatura. Mas, segundo o suplemento do Público, no dia 7 de Junho, no Porto, às 18h30, esteve a assinar livros o Dr. Mário Soares. Há mais de uma centena de nomes citados na lista do Mil Folhas. O único que aparece precedido por “Dr.” é o de Mário Soares. Suponho que a designação já faça parte do nome do antigo Presidente. Arrisco mesmo dizer que sempre fez. Imagino que, no momento em que Mário Soares nasceu, tenha havido uma conversa parecida com esta:

Mãe de Mário Soares: É menino ou menina, doutor?
Médico: Nem uma coisa nem outra, minha senhora. É um Dr. Mário Soares.

Devo confessar que parte da minha irritação se deve ao facto de o meu próprio nome estar presente naquela lista, também ele ignobilmente privado do prestigiante “Dr.” Admito que fiquei aborrecido com isso. Mas não fui só eu. O Dr. Cláudio Ramos também ficou lixado. RAP
posted by Gato 1:09 da tarde

ESPERANÇA: Não partilho do sentimento apocalíptico da generalidade da imprensa em relação à hipótese da frota espanhola poder vir a pescar na zona exclusiva portuguesa. Pelo contrário, esta pode ser a oportunidade por que esperávamos. Se tivermos sorte, os pescadores espanhóis capturam e levam para o seu país um certo cherne. MG
posted by Gato 12:14 da manhã

quarta-feira, junho 11, 2003

QUAL COMENDA! DÊEM-LHE, PELO MENOS, QUATRO OU CINCO: A única razão que vejo para o Carlos Alberto Moniz ter sido condecorado no 10 de Junho, é o facto de ter fabricado a sua filha mais velha. Mas se é este o caso, meus amigos, uma comenda não chega para Portugal agradecer a existência da Lúcia Moniz. ZDQ
posted by Gato 11:50 da tarde

MÁRTIR FEDORENTO II: Confirmo a história que o MG conta no post anterior. Mesmo assim, posso jurar que, na altura, ele disse aquilo ironicamente. ZDQ
posted by Gato 11:41 da tarde

MÁRTIR FEDORENTO: Quero aqui anunciar que, se o Pedro Lomba e o Pedro Mexia voltarem atrás na sua decisão de suspenderem A Coluna Infame, eu comprometo-me a ler as obras completas de Burke. Conseguem, agora, compreender o quanto eu desejo o vosso regresso, seus reaccionariozinhos? (Não adianta. Isto é o máximo de afecto que consigo demonstrar por indivíduos de direita. Perguntem ao ZDQ. Certa vez, atraiçoado por um momento de grande emoção, disse-lhe: "Se formos a ver bem, tu não és mau de todo". Sou mesmo um sentimentalão.) MG
posted by Gato 9:29 da tarde

NOSTALGIA: Hoje de madrugada, às quatro e tal da manhã, sorvi dois episódios seguidos da série "Os Homens do Presidente". Que saudades dos tempos em que as boas séries da TVI passavam às duas e tal da manhã... MG
posted by Gato 9:27 da tarde

É SEMPRE ÚTIL RECORDAR: Ainda bem que Fátima Felgueiras, na sua conferência de imprensa, dizia de trinta em trinta segundos que é uma mulher disto e daquilo. É que, quem olha para ela, facilmente pode pensar que está diante de um indivíduo másculo, se bem que com um penteado algo efeminado. MG
posted by Gato 9:04 da tarde

FIM INFAME: Sem o saberem, os três autores d’ A Coluna Infame foram, em boa parte, responsáveis pela criação do Gato Fedorento. Quero assinalar o fim da Coluna com um poema, apropriadamente chamado “Regresso”:

Regressas a casa, onde
regressas? A sombra espera
a tua sombra, um disco
ouvido no escuro. Regressas
a casa, mas tens a chave
e não a porta, ou o contrário,
ou a chave e a porta e mais nada.


Pedro Mexia, Eliot e Outras Observações, Gótica, p. 138.

Há outros regressos, em que tudo o que ficou para trás se reencontra intacto. Ficamos todos à espera por um desses. Até breve, amigos. RAP
posted by Gato 1:54 da manhã

ESTEJAM QUIETOS, PÁ!: Pessoal da Coluna, telefonou-me a Alexandra Solnado. Parece que Jesus lhe disse que não estava a achar graça nenhuma a esta merda de acabarem com o blog. Perguntou se era preciso não vir cá a baixo outra vez. Se vocês são cristãos, acho que isto é uma ameaça. Vejam lá isso, rapazes. ZDQ
posted by Gato 12:58 da manhã

terça-feira, junho 10, 2003

A NOSSA CERVEJA DE SEMPRE AFINAL É ESCOCESA: Ricardo Salgado, do BES, que assinou o badalado Manifesto dos 40 – sobre a perda para o estrangeiro dos centros de decisão empresariais portugueses– vendeu a Sagres a uma empresa escocesa. Agora é que os outros 39 vão ficar lixados: não só Ricardo Salgado vende uma marca importante, como também a Sagres é a cerveja que os 40 se fartaram de beber aquando da assinatura do tal manifesto. ZDQ
posted by Gato 12:45 da manhã

segunda-feira, junho 09, 2003

TOP + SIDUDO: Esta semana, tivemos uma entrada directa para o primeiro lugar da tabela do Top + Sisudo. João Pereira Coutinho, outrora dono de um sentido de humor desconcertante e de uma ironia refinada, conquistou a liderança graças à sua reacção inusitada a uma piada de Daniel Oliveira. Por sua vez, Nelson de Matos abandonou a tabela, ao decidir abordar-me (a mim e ao RAP), na feira do livro, de forma amável e bem-humorada: “Boa tarde. Eu sou o tijolo”. (Recorde-se que RAP, no climax da polémica, referiu que Nelson de Matos tinha o sentido de humor de um tijolo). O editor da Dom Quixote deu, assim, à blogosfera o exemplo de como não se deve guardar ressentimentos mesquinhos, e de como não se deve misturar no mesmo saco diferenças de opinião e relações pessoais. Se tivermos em conta o que se está a passar na Coluna Infame, o timing do Nelson de Matos não podia ter sido mais perfeito. MG
posted by Gato 5:03 da tarde

PAXECU PERAIRA: As distracções ortográficas de Pacheco Pereira já foram aqui suficientemente festejadas, e por isso não me apetecia insistir nesse ponto. Mas a de hoje é absolutamente irresistível, e vou ter que falar nela.
No seu outro blog, o Estudos Sobre o Comunismo, JPP publicou uma nota biográfica sobre um militante do PCP. Começa assim: “Inácio Ministro , estufador de automóveis , entrou para o PCP na década de quarenta .” Sabia-se que muitos militantes do PCP eram operários. Supunha-se que alguns desses operários fossem estofadores de automóveis. Mas foi no Estudos Sobre o Comunismo que pela primeira vez ouvi falar num estufador de automóveis. Gostava de ver o assunto aprofundado, até porque aquela profissão bizarra pode fornecer uma pista sólida para explicar o pouco sucesso do comunismo em Portugal. Basta imaginar o trabalho que dá estufar um carro para perceber que não sobrava muito tempo a Inácio Ministro para a militância política: arranjar um tacho suficientemente grande, um fogão de potência condicente com a tarefa e juntar tomate e cebola em quantidades que permitissem levar a cabo um estrugido decente, não devia ser empresa fácil. Isto já para não falar na dificuldade que seria manter tão espalhafatoso ofício na clandestinidade: o cheiro do refogado, mesmo que preparado no Alentejo profundo e clandestino, havia de alertar o nariz do PIDE mais constipado da António Maria Cardoso.
Por outro lado, adivinham-se os problemas que Inácio Ministro terá enfrentado no interior do próprio partido. Facilmente imaginamos um camarada, numa reunião de célula, a dizer: “O Inácio hoje não pode vir. Vai passar as próximas duas semanas a picar cebola, porque tem que estufar um Cadillac no fim do mês.” Nem o mais benevolente controleiro se deixa convencer por uma desculpa destas durante muito tempo. [Entretanto, Pacheco Pereira já corrigiu para "estofador". Ganhou-se em ortografia, mas perdeu-se uma interessante tese histórica.] RAP
posted by Gato 4:02 da tarde

A PROVA QUE FALTAVA: Já muito se escreveu na blogosfera sobre a resposta intempestiva de João Pereira Coutinho à provocação inócua de Daniel Oliveira. Mas ninguém salientou ainda a importância de que se reveste o facto do post de JPC, que originou o caos, aparecer todo ele escrito a bold. Pessoalmente, penso que essa é a prova de que JPC, não só é de extrema-direita, como também é neo-colonialista: afinal de contas, ficou patente que ele usa e abusa do negrito. MG
posted by Gato 4:01 da tarde

MUCH ADO ABOUT (ALMOST) NOTHING: A saída de João Pereira Coutinho d’ A Coluna Infame deixa a todos um sabor amargo na boca. Devo dizer, para começar, que gosto do João Pereira Coutinho (com esta frase, acabo de perder 274 amigos). Conheço-o muito mal, mas o suficiente para perceber que se trata de uma pessoa inteligente, íntegra e cortês. Não quero com isto dizer que deixei de ter vontade de lhe bater com um tubo de aço cada vez que leio um dos seus textos. Não: a vontade mantém-se, mas passa mais depressa. Além disso, embora quase nunca concorde com João Pereira Coutinho, aprecio o estilo. João Pereira Coutinho tem a truculência e o humor dos grandes polemistas, e é excessivo como eles (aqui perdi mais 56 amigos). Eis porque me surpreendeu a reacção que teve a propósito de uma provocação que me pareceu pouco mais que inofensiva. João Pereira Coutinho justificou a indignação dizendo: “Para quem passa grande parte do tempo a estudar e a escrever sobre o fenómeno dos totalitarismos, o epíteto de «extrema-direita» ganha contornos particularmente ofensivos. As palavras são importantes. E quando perdemos o respeito pelas palavras, perdemos tudo.” De acordo. Mas parece-me que respeitar as palavras é também saber que, às vezes, elas dizem mais, ou menos, ou até o contrário do que realmente querem dizer. Julgo que foi esse o caso no post do Daniel Oliveira: entendi-o como uma piada maliciosa – que não maldosa – como tantas que se trocam na blogosfera.
Mais surpreendido fiquei quando vi Miguel Esteves Cardoso reforçar, com estas palavras, o que João Pereira Coutinho tinha dito: “(...) também eu, tal como o João, sou um filósofo político conservador e, como tal, não consinto que me chamem de extrema-direita - muito menos por suposto humor. A extrema-direita, que é assassina, racista e anti-semita, não tem piada. É como as anedotas dos nazis. Não têm graça.”
Também aqui devo começar por dizer o seguinte: Miguel Esteves Cardoso é uma das minhas referências maiores, não só do ponto de vista literário como também do ponto de vista humorístico (neste momento, fiquei sem amigos). Creio ter lido tudo, ou quase tudo, o que Miguel Esteves Cardoso publicou. E hoje, quando vi o texto do Pastilhas, lembrei-me de uma crónica que escreveu há mais de dez anos. Chama-se “Sim, sou de extrema-direita – e daí?” (Último Volume, Assírio & Alvim, 2ª ed., pp. 137-140). Nessa crónica (magnífica, como são todas), Miguel Esteves Cardoso contesta a “chatérrima conspiração contra os chamados «extremismos»”. Diz ele: “Por que não se há-de falar numa extrema-direita democrática? Por que não se há-de falar numa extrema-direita democrática e moderna que respeita o sufrágio universal, o pluralismo político, e a liberdade de expressão e associação, sem xenofobismos, racismos, belicismos ou outras violências anti-humanitárias? Neste contexto, porque não se há-de ser o mais à direita que há? (...) Ser de extrema-direita significa estar predisposto a aceitar a ordem estabelecida, social, cultural, genética e económica, sem pretensões de a substituir, nem tão-pouco necessidade de a deificar. O nosso princípio básico é «Não mexer na fruta». (...) Ser de extrema-direita não é «menos» democrático que ser, por exemplo, de centro-esquerda. Quando se é extrema-direita até se acha que é mais.” Cá está: às vezes, as palavras são o que quisermos que elas sejam. A mesma expressão pode passar de blague a insulto num espaço de dez anos – ou de dez minutos.
A minha opinião é esta: penso que o Daniel Oliveira não chamou nazi nem fascista a ninguém. Pelo tom do post, até tenho dúvidas que de facto acredite que o João Pereira Coutinho seja de extrema-direita. Sobretudo, penso que tudo isto se poderia ter resolvido com facilidade. Lamento imenso que já seja tarde. RAP
posted by Gato 12:26 da manhã

Powered by Blogger

 

Um blog com opiniões, nenhuma das quais devidamente fundamentada. Mantido por: Tiago Dores, Miguel Góis, Ricardo de Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela. E-mail: gatofedorento@hotmail.com

Past
current