Gato Fedorento

domingo, maio 25, 2003

PORQUE É QUE EU AMO PORTUGAL: Hoje à tarde assisti a uma cena interessante. Estava à janela do meu quarto e vejo um jovem (alguns 15 anos) a descer a minha rua. Encostado à parede, debaixo da minha janela, estava um grupo de jovens pretos (uns cinco ou seis, entre 15 e 20 anos). Quando os viu, o jovem atravessou a rua, continuando desse lado o seu caminho. Eis senão quando os pretos começam a cantar rap. Nessa altura, o jovem voltou a atravessar a rua para o lado de cá e posso jurar que o vi pedir autógrafos. ZDQ
posted by Gato 11:35 da tarde

PORQUE É QUE EU AMO A AMÉRICA: Para fazer uma uma cena do Matrix Reloaded, os irmãos que realizaram o filme (não me lembro do nome nem me apetece ir procurar) construíram um troço de auto-estrada com 2,5 km. Cá em Portugal, para se fazer a auto-estrada do Algarve, foi o filme que se viu. Aposto que se tivessem sido eles a realizar a "Jangada de Pedra", tinham separado mesmo a Península Ibérica. Por estas e por outras é que eu amo a América. ZDQ
posted by Gato 11:21 da tarde

BOOOOOORING: Caro leitor, tenha a bondade de passar ao próximo post, que é muito engraçado. Este é outra vez sobre Nelson Rodrigues. Obrigado.

O meu amigo não-socialista Pedro Lomba diz que seguiu com atenção o que fui escrevendo sobre Nelson Rodrigues, mas que não percebe onde eu quero chegar. Ora, bastava ter seguido com atenção o que Pedro Mexia tem escrito sobre Nelson Rodrigues, nomeadamente quando disse “quanto a uma suposta proximidade do Nelson à ditadura militar, lamento dizer que estás mal informado”, para saber onde eu queria chegar: queria só mostrar que não estava mal informado. Não gosto que me digam que sou um tonto que não sabe do que fala. (Infelizmente, acontece-me muitas vezes.)
Agora, sobre a resposta de Pedro Mexia:

Ponto prévio nº 1: Quem me conhece sabe que sou um palhaço. Quem não me conhece pode comprová-lo facilmente. Basta sintonizar a SIC Radical, hoje, entre as 23h50 e as 0H05, mais ou menos, ou fazer o mesmo na próxima quarta-feira, à mesma hora. Há-de aparecer um idiota com sotaque de matarruano dizendo que se chama Aniceto Barbosa. Sou eu.

Ponto prévio nº 2: Ser um palhaço é, portanto, um traço dominante da minha personalidade, o que me traz, como calculam, consequências agradáveis e desagradáveis. As agradáveis são estas: um palhaço não cilindra, sova, atropela, estilhaça, nem arrasa, como diz o Pedro que lhe fiz. Muito menos humilha alguém, excepto a si próprio (ver ponto prévio nº 1). Menos ainda humilhará alguém que conhece e de quem é amigo, como é o caso. Eu não fiz nada disso.

Ponto prévio nº 3: Sempre que comparo o Pedro ao Ministro da Informação do Iraque ou lhe recomendo que telefone para casa de Nelson Rodrigues Filho a descompô-lo estou, evidentemente, a brincar. O humor é um mecanismo de defesa como outro qualquer e eu uso-o desde criança. Nunca me deixou ficar mal.

Ponto prévio nº 4: Não tenho sorte nenhuma com os Nelsons.

Vamos a isto. Que dizes desta vez, Pedro?
1. Dizes que nunca ninguém tinha sugerido que tu criticavas livros que nem sequer tinhas lido. Atenção, porque isto é muito grave. O que eu disse foi: “devias ler os livros que recomendas.” Nunca disse que não lês os livros que criticas. Leio-te e conheço-te, o que faz com que essa ideia nem sequer me passe pela cabeça.
2. Dizes: “O Ricardo não tinha lido o livro, mas achava que era uma «hagiografia», apenas porque eu o referia como um bom livro.” Não é assim, evidentemente. Eu não tinha lido o livo mas achava que era uma hagiografia porque tu afirmavas que, quem o lesse, saberia que Nelson Rodrigues não tinha apoiado a ditadura. Biografia que omita um pormenor dessa importância, é uma hagiografia. Se me mostrarem uma biografia do Paul Éluard que oculte o facto de ele ter sido estalinista, qualifico-a da mesma forma, pelo mesmo motivo, também sem a ler. Creio que farás o mesmo.
3. Dizes que parei de citar cedo demais. Faltava isto: “Apoio que, na verdade, sofrera um profundo abalo desde Abril de 1972, quando se convencera da existência das torturas. O simples reconhecimento por Nelson Rodrigues de que o regime havia torturado denunciava o excremento que se tentara varrer para debaixo da bandeira.” Tens razão. Se tivesse lido tudo com mais vagar e atenção, teria citado até aqui porque, até certo ponto, acho esta frase ainda mais grave que a que citei. A ditadura começou em 64. Nelson Rodrigues apoiou-a até 72 (oito anos), data em que descobre que o seu filho está a ser torturado na cadeia. Assim que Nelson Rodrigues descobre este facto que, durante anos, foi provavelmente o único brasileiro a ignorar, que faz? Que diz Ruy Castro? Que o apoio termina? Não. Apenas sofre “um profundo abalo”. Dizer que Nelson Rodrigues não era apoiante da ditadura, é inaceitável. Como Ruy Castro diz, e bem, o escritor não só nunca escondeu o seu apoio ao regime como fazia gala em enxovalhar os opositores da ditadura. Foi o que fez, por exemplo, com D. Hélder Câmara, o bispo que participava nas manifestações contra a ditadura e que, por ter esse comportamento tão criticável, mereceu de Nelson Rodrigues o epíteto jocoso de “padre de passeata” (que se transformou, como sabes, num dos mais famosos estribilhos do escritor).
4. Dizes que Nelson Rodrigues teve vários problemas com a censura. É verdade. Porém, quando dizemos “problemas com a censura”, pensamos no caso português e imaginamos perseguições e cadeia. Não era esse o caso. Os problemas que teve com a censura não tinham motivações políticas, mas morais. Eram reparos do tipo: “A sua peça tem demasiados incestos.” Mais uma vez, não deixa de ser curioso que Nelson Rodrigues tenha tido todos esses problemas com a censura e, apesar disso, nunca tenha escondido o seu apoio ao regime (pelo menos até 72). Para um amante da liberdade, não está mal. Já sei, já sei: ele preferia a censura dos militares à censura de um hipotético regime comunista que hipoteticamente se poderia instalar no Brasil.
5. Trazes outra vez à baila as minhas opções ideológicas. Ainda não é desta que te respondo a isso – por questões de tempo, apenas. RAP

posted by Gato 7:15 da tarde

MEU DEUS: O editor de "Vai Uma Queca?", a mais recente obra de Miguel Dias, volta a atacar:

Ricardo Araújo Pereira ficou incomodado com o que aqui escrevi acerca de um post do Gato Fedorento sobre um romance de Lídia Jorge. Diz que era apenas uma "graçola completamente inocente".
Admite-se. Há quem considere que se deva fazer graçolas a propósito de tudo.
Diz também que a sua "graçola" não poderia ser confundida com uma recensão literária, coisa que evidentemente eu já tinha entendido.
Depois faz-me uma "ameaça".
E mistura na conversa o seu trabalho pessoal com a editora.
Que não estava em causa, nem vinha a propósito.
Pensava eu que esta coisa dos blogs servia para dialogarmos ou, para alguns, para aprenderem o exercício do diálogo livre.


Ou seja, desta vez, Nelson de Matos transforma uma ironia numa "ameaça". E, depois de ter sugerido que eu deixasse de escrever, para esconder a minha tolice e ignorância, tornando assim o mundo mais higiénico, recomenda agora que eu aprenda o exercício do diálogo livre. Corrijam-me se estiver enganado mas parece-me que, se eu seguir a directiva de Nelson de Matos e deixar de escrever, não só se acaba o diálogo livre como se acaba, pura e simplesmente, o diálogo. Mais uma vez: extraordinário. RAP
posted by Gato 6:23 da tarde

E AGORA A CEREJA: No dia 23 de Abril, fui convidado para fazer stand-up comedy na festa de aniversário de uma editora. Pediram-me que dissesse umas piadas sobre livros e o meio literário português. Assim fiz. A editora – segurem-se – era a D. Quixote. Quem me apresentou ao público que estava presente no Lux foi – preparem-se – Nelson de Matos. No final, alguns escritores vieram dar-me os parabéns. Um deles foi – cuidado, é chocante – Lídia Jorge. Eu metera-me com ela durante a minha actuação... RAP
posted by Gato 4:35 da tarde

EXTRAORDINÁRIO: Há uns dias, fiz aqui uma piada a pretexto de um livro de Lídia Jorge. Uma graçola completamente inocente, diga-se, e que em nada belisca a qualidade da escrita da autora nem do critério do editor. Sugiro que confirmem isto com os vossos próprios olhos e julguem se há alguma hipótese de alguém, mesmo tendo o sentido de humor de um tijolo, poder confundir aquela brincadeira inócua com uma recensão crítica. O post chama-se "O DMITRI ASSOBIANDO NAS GRUAS".
Já lá foram? Muito bem. Hoje, diz Nelson de Matos no seu blog:

Reparei hoje que o blog Gato Fedorento se refere ao romance de Lídia Jorge “O Vento Assobiando nas Gruas” (a que acaba de ser atribuido o Grande Prémio de Romance da APE) de um modo absolutamente tonto. Há pessoas que, ao menos, deviam fazer um esforço para esconder a sua tolice e ignorância. Sempre tornavam o mundo mais higiénico. Escrevem - porquê? se afinal não sabem ler.

E agora uma coisa engraçada: no ano passado publiquei um livro humorístico, também ele provavelmente tonto, tolo e ignorante. Vai na quarta edição. A editora é uma tal D. Quixote. Tentarei não voltar a fazê-lo, Nelson. É preciso tornar o mundo mais higiénico, que raio. RAP
posted by Gato 4:19 da tarde

ASSIM TUDO BEM, RTP: De manhã, questionei se faria sentido voltar a instituir a taxa de televisão para pagarmos o tipo de programação que temos. À noite, demorei a recompor-me da bofetada de luva branca que a RTP me deu: como é que este país podia passar sem esse verdadeiro serviço público que é o Festival Eurovisão da Canção? Então se me trouxerem de volta os Jogos Sem Fronteiras – comentados pelo Eládio Clímaco, claro – dou até 50 € por mês! TD
posted by Gato 4:15 da tarde

WELCOME TO THE REAL WORLD: É impressão minha ou é extremamente irónico que a temática da trilogia Matrix seja a de um mundo em que os seres humanos são totalmente controlados por máquinas. É que, agora que estreou o Matrix Reloaded, não vai haver adolescente que queira ser cool, velhinho que queira parecer moderno e homossexual que aprecie imenso o Keanu Reeves, que não vá ver o filme. Ou seja, por este mundo fora, não vai haver ninguém que consiga escapar a esta diabólica máquina de marketing, que nos encaminhará para a sala de cinema mais próxima qual carneirada. Ainda se lembram qual era a história do Matrix? Pois é. Só mesmo num filme é que um gajo a quem dão a escolher entre um comprimido vermelho, com atrozes efeitos secundários, e um comprimido azul, cuja fama de proporcionar um invulgar desempenho sexual é inquestionável, opta pelo primeiro. TD
posted by Gato 3:57 da tarde

LEGALIZE, MAN! Esta história da pedofilia ainda nos vai encher mais as cadeias. É altura de se começar a pensar em despenalizar a pedofilia. Quer dizer, pelo menos o consumo. O tráfico não, claro. ZDQ
posted by Gato 1:41 da tarde

sábado, maio 24, 2003

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA: Compreendo a impaciência do leitor ao constatar que está a ler mais um post sobre a polémica em torno de Nelson Rodrigues que tenho travado com Pedro Mexia. Creio não estar longe da verdade se disser que, depois deste, não haverá mais.
Como sabem, caí na asneira de dizer aqui que Nelson Rodrigues tinha apoiado a ditadura militar brasileira. O Pedro, com bonomia paternal, corrigiu-me e deu-me um conselho: “Quanto a uma suposta proximidade do Nelson à ditadura militar, lamento dizer que estás mal informado. Lê a biografia do Ruy Castro, O Anjo Pornográfico. Nem toda a gente de direita defende as ditaduras militares, Ricardo.” Contrapus com um texto de Nelson Rodrigues em que este confessa a admiração e amizade por alguns militares da ditadura. Não serviu de prova. Eu que lesse o Ruy Castro, que ele é que sabia. Apresentei uma entrevista com o filho (vou repetir: o filho) de Nelson Rodrigues, em que este admite que o pai apoiava a ditadura. Indeferido: o testemunho do filho (vou repetir: do filho) de Nelson Rodrigues carecia de credibilidade. Nelsinho é um famoso esquerdista e conhece a vida do próprio pai muito pela rama, ao contrário do que sucede com – adivinharam – Ruy Castro. O Pedro volta a instruir-me: “Ruy Castro limitou-se, durante anos, a ler tudo de e sobre Nelson, a pesquisar arquivos, a entrevistar gente, e assim por diante.” Mas isto eu sabia que era mentira, porque se Ruy Castro, que pelos vistos tinha omitido da sua celebrada biografia o pormenor da simpatia de Nelson Rodrigues pela ditadura (que, convenhamos, não é de somenos), então não teria lido tudo sobre Nelson Rodrigues. Não teria lido, por exemplo, alguns textos em que se refere o apoio de Nelson Rodrigues à ditadura, como é o caso deste. E deste. E deste. E deste. E deste. E deste. E deste.
Apesar de tudo isto, segui o conselho do Pedro. Fui ler o livro. E não sei como dizer-vos que, a certa altura, li o seguinte:

“A voz de Nelson na campanha da anistia era duplamente incômoda para os militares. Era a voz de um pai com acesso a todo o tipo de mídia – e a de um escritor que nunca escondera seu apoio ao regime.”
in Ruy Castro, O Anjo Pornográfico. A vida de Nelson Rodrigues, Companhia das Letras, pág. 408.

Escolhi esta frase como podia ter escolhido outras. Ao longo de toda a biografia, são inúmeras as referências ao facto de Nelson Rodrigues ter apoiado a ditadura militar, ter feito amizade com os generais, e por isso ser apreciado e respeitado por eles.
Posto isto, Pedro, é difícil não tirar uma conclusão que é, como diria Nelson Rodrigues, um óbvio ululante: devias ler os livros que recomendas. É, creio, o mínimo que se espera do melhor crítico literário da sua geração.
Julgo que este debate termina aqui. (Talvez qualquer dia me refira aos termos em que ele se processou, nomeadamente em relação às referências à minha “ideologia vermelhusca”, ao socialismo científico e ao que eu tenho aprendido na Soeiro Pereira Gomes, sobre as quais, propositadamente, não me pronunciei até agora.) Pela minha parte, fiquei com uma certeza: Mohammed Saeed al-Sahaf já não vive. O antigo ministro da informação do Iraque morreu e o seu fantasma vagueou até Portugal para possuir Pedro Mexia. Não encontro outro motivo para aquela negação tão obsessiva de uma realidade evidente. E tenho provas: a frase “Nunca o grande Nelson Rodrigues apoiou a ditadura militar”, ideia que o Pedro não se cansou de repetir, lida ao contrário dá “Ratilim arudatid a uoiopa Seugirdor Noslen ednarg o acnun”, que em árabe significa: “There are no americans in Baghdad”. RAP

posted by Gato 11:54 da manhã

GARGANTA FUNDA À PORTUGUESA: Já que Francisco Louçã baptizou o caso das escutas a Ferro Rodrigues de “Watergate português”, o Gato Fedorento sugere ao Expresso que siga o critério de Bernstein e Woodward e que proteja a identidade da sua fonte, dando-lhe a alcunha de Sr. Fim-de-semana Lusitano. MG
posted by Gato 1:02 da manhã

AMNÉSIA: O arrastamento do nome de Ferro Rodrigues para o escândalo da Casa Pia vem obliterar por completo das nossas memórias o envolvimento de Paulo Portas no caso... no escândalo da... eu sei que era o nome de uma universidade privada... ou seria outro tipo de instituição? Desisto. Quem se lembrar, mande-me um mail. MG
posted by Gato 12:51 da manhã

ALGUÉM ESTÁ A ESCUTAR: Devo dizer que não compreendo a indignação de Ferro Rodrigues e de António Costa pelo facto dos seus telefones terem estado sob escuta. Neste país, onde a esmagadora maioria da população não mostra sinais de interesse pelo que os políticos têm para dizer, as escutas têm o mérito de revelar que há concidadãos que são capazes de despender elevadas quantias em material tecnológico só para ouvir as conversas de dois singelos dirigentes do PS. Afinal, há esperança para a democracia portuguesa. MG
posted by Gato 12:42 da manhã

sexta-feira, maio 23, 2003

QUE DEMOCRATA, ESTE NELSON: O tamanho dos posts de Pedro Mexia em defesa de Nelson Rodrigues vai diminuindo. Desta vez, uma curta ironia:

QUE BESTA ESSE NELSON: O Ricardo reproduz uma carta aberta do Nelson Rodrigues, na qual este ensaia uns toscos piropos aos militares para conseguir a libertação do seu filho, um esquerdista assumido. Realmente, Ricardo, este Nelson era um animal.

Permita o leitor mais distraído um breve resumo do que tem sido esta polémica. O texto que acabei de reproduzir refere-se a uma carta aberta de Nelson Rodrigues ao ditador da altura (estávamos em 79), em que ele dizia: “De Figueiredo, poucas vezes falo. Mas vou falar agora. Gosto de Figueiredo. Vou lhes contar como o conheci. Foi num jogo de escrete, em 1970. Médici convidou-me para ver o jogo da tribuna de honra.” Isto não bastou para que o Pedro tivesse ficado convencido que Nelson Rodrigues apoiava a ditadura militar. Não. Nelson Rodrigues só ensaiou aqueles “toscos piropos aos militares para conseguir a libertação do seu filho”. O Pedro nem sequer estranha que Nelson Rodrigues fosse convidado pelo ditador para ver a bola, nem que confraternizasse com as principais figuras da ditadura militar em 1970, quando o seu filho só foi preso em 73. O mais provável é que Nelson Rodrigues estivesse já a preparar o caminho, estimulando o convívio com a nomenclatura do regime para mais tarde conseguir o seu favor no caso da prisão do filho. Aliás, o Pedro já me tinha avisado de que eu não estava no trilho certo quando escreveu: “Quanto a uma suposta proximidade do Nelson à ditadura militar, lamento dizer que estás mal informado. Lê a biografia do Ruy Castro, O Anjo Pornográfico. Nem toda a gente de direita defende as ditaduras militares, Ricardo.” Eu estava, portanto, mal informado. Não era, todavia, o único. Tinha lido, mais que uma vez, que Nelson Rodrigues apoiara a ditadura militar, como diz aqui o Prof. Severino Vicente da Silva. Mas o Pedro convenceu-me de que eu estava enganado. Admiti o erro. Repeti cem vezes, para não esquecer: “Nunca o grande Nelson Rodrigues apoiou a ditadura.” E pus uma pedra sobre o assunto. Calculem a minha indignação quando dou com esta entrevista a Nelson Rodrigues Filho em que ele afirma, e cito: “Nós ficamos em lados opostos, porque ele [Nelson Rodrigues] defendia o Regime, mas era contra a tortura. Eu era contra tudo.” Não contente com isto, o filho de Nelson Rodrigues vai mais longe. Reparem na insolência da resposta à pergunta “Seu pai defendia o Regime porque temia que você sofresse algo na cadeia?”:

“Antes de eu ser preso, ele já apoiava o Regime. Quando me prenderam, eu fui torturado. Eu dizia isso a ele, as outras pessoas diziam, mas o Velho não acreditava que a polícia torturava. Quando ele me viu, acreditou e fez de tudo para me tirar de lá, mas continuou a favor do Sistema, apenas condenava a tortura. Então, soube da notícia de que na corporação, havia uma ordem vindo do alto escalão, dando conta de que eu não poderia morrer de forma alguma, por ser filho do Nelson Rodrigues.”

Ora, isto não pode ficar assim. Fiz umas pesquisas na internet e descobri o número de telefone de Nelson Rodrigues Filho. É o 00442917452368. O que sugiro que faças, Pedro, é isto: assim que forem horas decentes no Brasil, liga-lhe e descompõe-no. Primeiro, atira-lhe à cara que o pai só fingiu gostar dos militares para conseguir a libertação deste ingrato. Depois, não te esqueças de lhe dizer que, quanto a uma suposta proximidade do pai à ditadura, ele está mal informado. Recorda-lhe que nem toda a gente de direita defende as ditaduras militares. E, sobretudo, recomenda-lhe a biografia do Ruy Castro, Pedro. Ele vai ter que compreender, que diabo. RAP

posted by Gato 3:06 da manhã

PÃO PÃO, LIVRO LIVRO: Qual é a grande questão que inquieta, hoje, o público comprador de livros em Portugal? O amor? A morte? A impossibilidade de comunicar? Não. A avaliar pela oferta do mercado livreiro, o tema que mais interessa aos leitores portugueses é o queijo. A Pergaminho deu o pontapé de saída com “Quem Mexeu no Meu Queijo?”, de Spencer Johnson. Foi enternecedor testemunhar como milhares e milhares de almas se condoeram com a dúvida angustiante do autor, comprando a obra. Quem teria mexido no queijo de Johnson? Com que direito e para que insondável fim? Ninguém sabia solucionar este intrincado enigma. Mas, pouco tempo depois, a Temas e Debates avança com uma resposta editando “Fui Eu Que Mexi no Teu Queijo”, de Darre Bristow-Bovey. Os leitores não sabem o que fazer: admirar Bristow-Bovey pela coragem da confissão, ou condená-lo pela prática de um crime tão abjecto como é o de mexer no queijo alheio? Na dúvida, compram o livro. E quando se pensava que o caso estava encerrado, eis que a editorial Negócio entra na discussão dando à estampa o brado pungente de Ilene Hochberg: “Socorro, Roubaram o Meu Queijo!” Voltamos à estaca zero. Esta saga ainda tem muito para dar. RAP
posted by Gato 1:26 da manhã

quinta-feira, maio 22, 2003

O QUE FOI AGORA, JESUS? Será que as pessoas que lêem o livro da Alexandra Solnado podem ser consideradas esquizofrénicas por interposta pessoa? ZDQ
posted by Gato 6:34 da tarde

APELO AO CASAL MINOGUE: Senhora e senhor Minogue. Em meu nome e em nome do Gato Fedorento, vinha por este meio solicitar que doassem o vosso material genético à ciência. Tenho esperança que, um dia, a clonagem de seres humanos seja uma realidade e estou perfeitamente convencido que este mundo seria muito melhor com alguns milhões de cópias dos vossos rebentos Kylie e Dannii. Mais uma vez, muitos parabéns por essas duas relações sexuais. Agradeço desde já a atenção. Respeitosamente, TD
posted by Gato 11:15 da manhã

TÁ BEM, TÁ 2: N’ A Coluna Infame, Pedro Mexia interpôs este recurso em defesa de Nelson Rodrigues:

POIS POIS: Caro Ricardo, não estamos, parece-me, a falar do mesmo assunto. Não me referi aos opositores brasileiros, comunistas ou não, que evidentemente se arriscaram e mostraram coragem. Escrevi uma coisa muito mais comezinha: a coragem intelectual. Nos anos 60, Nelson Rodrigues era um dos raríssimos intelectuais de direita no Brasil, atacado e vilipendiado por todos os lados por isso mesmo. E isso nós admiramos. Quanto a uma suposta proximidade do Nelson à ditadura militar, lamento dizer que estás mal informado. Lê a biografia do Ruy Castro, O Anjo Pornográfico. Nem toda a gente de direita defende as ditaduras militares, Ricardo. E não, não vou meter-me com a tua bela ideologia vermelhusca, que trouxe ao mundo, como se sabe, esplendores de liberdade e prosperidade um pouco por toda a parte.

Caro Pedro, agradeço a sugestão de leitura. Aproveito para fazer também uma. Propunha que lesses os textos do próprio Nelson Rodrigues. Já agora, vamos fazê-lo juntos. Porque isto de estar bem ou mal informado sobre um assunto é tudo uma questão de opiniões: por um lado, temos a hagiografia – perdão – biografia de Ruy Castro, por outro temos as fontes. Vamos a elas. Passo a citar o próprio Nelson Rodrigues:

De Figueiredo, poucas vezes falo. Mas vou falar agora. Gosto de Figueiredo [Nelson Rodrigues está a falar do general João Baptista de Figueiredo, quinto e último presidente da ditadura militar do Brasil]. Vou lhes contar como o conheci. Foi num jogo de escrete, em 1970. Médici convidou-me para ver o jogo da tribuna de honra [Agora está a falar do General Emílio Garrastazu Médici, terceiro presidente da ditadura militar do Brasil, que governou entre 1969 e 1974. O governo deste amigo de Nelson Rodrigues ficou conhecido com o carinhoso petit nom de “os anos negros da ditadura”.] Entre parênteses, eu sou um sujeito que fica tenso numa tribuna de honra. “Convencional”, dirão. E eu próprio direi: “convencional”.
O Brasil ganhou e voltei para o Palácio das Laranjeiras na comitiva presidencial
[Aqui está a falar do palácio da presidência. Foi durante a sua estada neste palácio que Médici decidiu, entre outras coisas, endurecer as medidas de repressão contra os esquerdistas e fazer da tortura uma prática comum]. Foi aí que a fatalidade pôs o general Figueiredo no meu caminho. Com ele, estava Andreazza, que se juntou a nós [Nesta altura, refere-se a Mário David Andreazza, ministro dos transportes de Médici]. Tomamos o automóvel. Nada mais doce do que esta carona do Figueiredo. Ele era, então, chefe do Gabinete Militar de Médici.

E por aí fora. Estes excertos fazem parte de uma carta aberta que Rodrigues enviou ao general Figueiredo através do Jornal do Brasil, na qual faz valer a influência que tem junto do ditador para pedir uma amnistia para o filho – que havia sido preso e torturado por, ele sim, combater a ditadura militar. Posto isto, Pedro, não me parece que as nossas posições sobre Nelson Rodrigues sejam conciliáveis. (Nem sobre ele nem sobre muitas outras coisas, mas teremos sempre o Benfica e a Nastassja Kinsky.) A assombrosa coragem política de Nelson Rodrigues não vai reunir unanimidade à sua volta, o que não é grave. “Toda a unanimidade é burra”, dizia, precisamente, Nelson Rodrigues. Por uma vez, tinha razão. RAP
posted by Gato 10:52 da manhã

JESUS TAMBÉM FALA COMIGO: A Alexandra Solnado passou-me à frente. Não só já editou o livro dela, “Este Jesus Cristo Que Vos Fala”, como o próprio filho de Deus já lhe está a ditar o segundo. Ora, isto é chato, uma vez que também eu tenho, quase a rebentar no prelo, um livro em que relato conversas que mantenho com o Messias. Vai-se chamar "Diário de um Gajo Morto Há Dois Mil Anos"
Fiquei lixado quando descobri que Jesus também ditava a outras pessoas. Mas perdoo-lhe. Acho que é daquelas pessoas que gostam muito de conversar. O que não perdoo é as alcunhas que Ele dá: a Alexandra Solnado é uma querida Cabrita, enquanto que eu sou o Zé Merdas.
Acho que o meu livro, no entanto, tem uma mais valia que falta ao da Alexandra. Se, no geral, abarcam os dois temas similares, com Jesus a dar respostas a questões complicadas como a Santíssima Trindade, o Juízo Final, para que serve o FMI, como funciona, etc, já a minha obra vale-se pela atenção que eu dou a promenorzinhos deliciosos.
No livro desvendo o gosto que Jesus Cristo tem pela Água das Pedras – “do melhor do mundo, Zé Merdas!” – e pela Mini da Sagres – “a da Super Bock não é uma mini, Zé Merdas, é uma média de gaja!” – assim como outras confidências. Por falar em confidências, estou à vontade para dizer que Jesus não contou o terceiro segredo de Fátima à Alexandra Solnado. O que se passou foi que, como ele próprio disse: “a gaja não parava de perguntar e eu inventei qualquer coisa. Claro que não ia contar a verdade, até porque, como sabes, nunca fui chibo, mas se não lhe dissesse nada, a gaja não se calava”.
A pedra de toque no meu livro são as conversas paralelas que íamos tendo. Pequenas aguarelas em forma de diálogo, que pontuavam os nossos dias e que dão uma imagem mais descontraída desse Homem que sempre nos habituámos a ver como um menino do Papá. Está lá tudo.
JC – Ó Zé Merdas, e este cretino do Boloni, hein?
Eu – É fraquinho, é.
(chega empregado com as bebidas)
JC – Ouça lá, eu pedi uma Água das Pedras.
Empregado – Esta é Vidago. É igual.
JC – Não é igual, caraças! Se fosse igual, eu tinha pedido!
Empregado – Eu trago outra. Desculpa.
JC – Desculpa? Mas eu conheço-te de algum lado? Andei contigo na escola?
Eu – Tem calama....
JC – Tem calma é o caralho!
Eu – Não foste tu que disseste, “Quem nunca pecou, que atire a primeira Água das Pedras?” Eh, eh, eh...
JC – Cala a boca, Zé Merdas.”

Não vão encontrar episódios como este no livro da Alexandra Solnado. Por isso comprem o meu. Lanço-o assim que Jesus me disser o que quer que eu faça com o dinheiro. Parece que ia saber de uns cavalos em que vale a pena a gente apostar. ZDQ

posted by Gato 12:26 da manhã

quarta-feira, maio 21, 2003

AUTORIDADES NA MATÉRIA: Cada vez que há algum desenvolvimento nas investigações sobre a Casa Pia, lá estão em estúdio Pedro Namora e Adelino Granja. Já não há dúvidas. Eles são os Nunos Rogeiros da pedofilia. MG
posted by Gato 5:51 da tarde

TÁ BEM, TÁ: N’ A Coluna Infame, Pedro Mexia, o mais facundo membro da reaccionaríssima trindade, escreve assim:

POIS, POIS: O Ricardo censura-nos por incensarmos Nelson Rodrigues. Mas, Ricardo, convirás que a prosa é magnífica, e que ser reaccionário no Brasil (nos anos 60) exigia uns muito grandes. E nós gostamos de boa prosa e de coragem. Tiques de escrita? Quem não os tem? Quanto ao que dizes serem os raros autores «de direita» que sabem escrever, podemos começar a fazer listas, se te apetecer. Verás que a «direita» não fica, de todo, a perder. E que a maioria dos escritores «de direita» até estão à direita da Coluna. Cuidado com os clichés intelectuais da canhota, Ricardo, olha que não resistem a um escrutínio atento.

Ó Pedro, vamos lá por partes. Eu nunca disse que a prosa não era magnífica, pelo contrário. Admito que é um grande escritor. Em relação às listas, não me parece que seja empresa que valha a pena, por duas razões: primeiro, porque esse debate resvala, inevitavelmente, para uma disputa clubística pouco objectiva; segundo, porque com listas não íamos lá. Se eu pusesse Saramago na lista, sem mais nada, lá viria a cassete anti-saramaguiana do costume, cujo conteúdo é subscrito muitas vezes por quem nunca leu um parágrafo de Saramago na vida. É preciso não esquecer que vivemos num país de invejosos. Mas se eu disser que as primeiras páginas do Memorial (para dar apenas um exemplo) são extraordinárias, e que a língua portuguesa se apresenta ali reinventada, incorporando a herança de Camilo, Eça e Vieira num modo completamente novo de escrever, aí acho difícil que não concordes com Baptista-Bastos quando diz, com um colorido que só a escatologia transmite, que Saramago, do ponto de vista estilístico, “conseguiu mijar por cima do ombro”.
Relativamente à dimensão do escroto de Nelson Rodrigues, Pedro, tem dó. Se ser reaccionário exigia uns muito grandes, ser comunista, por exemplo, exigia uns de que tamanho? Não ouso propor que o caso seja investigado, nem estou disponível para andar de craveira testicular na mão a cotejar genitálias. Mas, assim a olho, parece-me que os do Ferreira Gullar, que em 68, depois da promulgação do AI 5, teve que se exilar, para escapar à prisão e à tortura (isto já para não falar dos seus camaradas que foram mesmo presos, torturados e mortos), são maiores que os do Nelson, que por esse ano (em que estava no poder um dos governos mais repressivos do Brasil, o do Marechal Arthur da Costa e Silva) achava mais interessante andar entretido a fazer pouco do Maio de 68 nos jornais. É evidente que estas posições políticas, por mais ululantes que fossem, nunca lhe deram problemas. RAP
posted by Gato 3:39 da tarde

PENA LEVE: Li no Público que a direcção do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros suspendeu por 15 dias todos os alunos envolvidos na organização e realização do "tribunal de praxe", durante o qual terão sido agredidos, "física e verbalmente", quatro estudantes do primeiro ano da Escola Superior de Saúde. A mim, 15 dias de suspensão parece-me francamante escasso. A não ser, claro, que os alunos fiquem os 15 dias suspensos, mas pelos genitais. TD
posted by Gato 1:03 da tarde

CARO INTERNAUTA QUE VEIO AQUI PARAR ATRAVÉS DA PESQUISA “FERNANDA SERRANO”+“SUA ÚLTIMA CURTA-METRAGEM”: Lamentamos, mas ainda não é desta que você vai ver o famoso filme protagonizado por Fernanda Serrano. Mas não se vá já embora. Em contrapartida, nestas páginas pode ler educativos artigos sobre o último romance da Lídia Jorge (pode não ter um corpo escultural, mas é muito sólida ao nível da prosa) e sobre as presidenciais de 2006 (se acha que não está muito interessado no assunto, lembre-se que há sempre a hipótese de virmos a ter uma mulher presidente e de ela dar seguimento à tradição das presidências abertas). Não? Vai sair imediatamente e continuar a pesquisar o filme da Fernanda Serrano? Tudo bem. Boa sorte. Depois, mande-nos o link. MG
posted by Gato 12:46 da tarde

AI A FERNANDA SERRANO É MAIS INTERESSANTE QUE NÓS? HUM... SE CALHAR, É: Aqui no Gato Fedorento temos vindo a reparar que uma percentagem nada insignificante das nossas visitas vêm aqui parar através de uma pesquisa às palavras “Fernanda Serrano”+“chavascal”, só porque num dos posts referimo-nos ao filme que anda a circular na internet. Ora, nós não nos sentimos nada confortáveis com esta situação. Não pretendemos, de forma nenhuma, beneficiar com a exposição generalizada de partes íntimas femininas. Se, pelo contrário, quiséssemos aumentar exponencialmente o nosso número de visitas, agora sabemos que bastava-nos espalhar, ao longo dos textos, léxico de índole sexual e os nomes de algumas das mulheres mais sexys do mundo. Resumindo, tudo o que interessasse a quem aprecia pornografia da boa. Desataríamos a escrever posts com os nomes da Pamela Anderson (juntando-lhe a referência aos seus aclamados seios), da Jennifer Lopez (e do seu amplo traseiro), da Britney Spears (e da sua língua marota, que espevita quando a dona canta os éles). Mas, obviamente, não vamos fazer uma coisa dessas. Afinal de contas, temos uma coisa que se chama ética. Sim, a mesma ética de que tantas e tantas vezes Cicciolina deu mostras. Agora, não me ocorre exactamente quando, mas tenho a certeza de que deu. Provavelmente, foi durante uma das suas orgias. MG
posted by Gato 12:44 da tarde

ESSE CARA NÃO É UM CAFAGESTE: Este blog brasileiro tem várias qualidades: o autor escreve num português vivo, ágil e inesperado, tem muita graça e acha-nos graça a nós - um traço de personalidade que valorizamos imenso. Descobri lá um anúncio da Puma (que dá vontade de comprar um par de ténis e uma caixa de Kleenex) e esta frase: "Você não vai concordar comigo, é óbvio, mas lembre-se, você não é relevante." Quem não for espreitar é lorpa. RAP
posted by Gato 3:02 da manhã

SÓ PARA LEMBRAR: Neste momento, a blogosfera fervilha. Está em expansão. E se é verdade que a maioria dos blogs portugueses é de direita, não é menos certo que também há bastantes blogs afectos tanto aos partidos de esquerda como ao próprio PS.
Neste panorama, em que lugar se situa o Gato Fedorento? A resposta certa é: em parte nenhuma. Porque o Gato Fedorento é escrito pelo ZDQ, que é de direita, por TD e MG, que são de esquerda, e por mim, que sou de extrema-esquerda. O resultado é esta esquizofrénica espelunca. Aceitamos contribuições para o gatofedorento@hotmail.com. Obrigados. RAP
posted by Gato 1:08 da manhã

terça-feira, maio 20, 2003

DÊEM-NOS CONDIÇÕES: É notória a falta de condições da polícia portuguesa, sobretudo em comparação com os fabulosos meios de que os criminosos dispõem: não raramente os carros dos prevaricadores são mais rápidos que os calhambeques das forças de segurança e as lanchas dos traficantes costumam ser mais velozes que as pesadas embarcações da polícia marítima. Mas, hoje, pude presenciar, ao vivo, a insuficiência de meios dos agentes de autoridade quando envolvidos em perseguições pedestres. Fui testemunha da forma como um larápio deixou para trás meia-dúzia de polícias, graças a uma correria louca e desconcertante. Em busca de uma explicação satisfatória, olhei para o que cada um deles calçava: o gatuno usava uns Air Nike e os agentes calçavam uns rudimentares Sanjo. MG
posted by Gato 11:54 da tarde

MATRIX II: Por melhor que o software que cria os efeitos especiais seja, nenhum computador consegue fazer com que o Keanu Reeves represente bem. ZDQ
posted by Gato 11:46 da tarde

MATRIX: Acabo de assistir ao Matrix 2. Bem sei que ainda estamos em Maio e que, lá mais para o fim do ano, vai sair o Pro Evolution Soccer novo. Mas eu seja ceguinho se este Matrix Reloaded não é o jogo do ano! ZDQ
posted by Gato 11:43 da tarde

O DMITRI ASSOBIANDO NAS GRUAS: O Grande Prémio de Romance e Novela da APE foi hoje atribuído ao romance “O Vento Assobiando nas Gruas”, de Lídia Jorge. Li o livro e fiquei chocado com o completo desfazamento da história em relação à sociedade portuguesa. Toda a gente sabe que, em Portugal, quem assobia nas gruas são os homens das obras. E, normalmente, ao assobio acrescentam coisas do tipo: “Ó boa!”, ou “Senta-te aqui!”, ou ainda “Уважаемые господа визитная карточка нашего!”, que é a versão ucraniana do nosso clássico “Vestia-te um pijaminha de cuspe”.
Desiludam-se: o romance de Lídia Jorge não fala sobre nada disto. RAP
posted by Gato 2:33 da tarde

O LULANTE: Nelson Rodrigues é, sem dúvida, um grande escritor de língua portuguesa. Mais: no grupo daqueles que usam com frequência a palavra “bobagem”, é certamente um dos maiores. Mas abusa do adjectivo “ululante”. Demasiadas coisas ululam na prosa de Nelson Rodrigues, se querem a minha opinião. A multidão ulula, os jovens ululam, as senhoras grã-finas ululam. Ululam os actores, ululam os naturais do Rio de Janeiro e até o óbvio, obviamente, ulula.
Ora, Nelson Rodrigues era um homem de um reaccionarismo encantador. Parte da nossa direita, pela mão, por exemplo, dessa autêntica vanguarda reaccionária que é A Coluna Infame, começa a descobri-lo e a admirá-lo (ululantemente, diga-se). E começa também, como é hábito, a imitá-lo. Sempre que um escritor de direita consegue articular o sujeito com o predicado a juventude conservadora celebra o facto raro indo à gaveta buscar o papel químico. Ainda me lembro da altura em que todos os meus amigos de direita escreviam à Miguel Esteves Cardoso. Com Nelson Rodrigues vai sucedendo agora, tardiamente, o mesmo. Ulula-se e vai ulular-se cada vez mais, por esses blogs conservadores afora. Pode ser que passe depressa. RAP
posted by Gato 12:40 da tarde

JÁ ACABOU A GUERRA? QUE CHATICE! Nesta fase pós-guerra, é altura de pensarmos nas vítimas do conflito do Golfo: os mortos, os feridos e o Nuno Rogeiro. Hoje em dia, comentar guerras é um trabalho deveras ingrato. O avanço tecnológico e a evidente supremacia militar dos Estados Unidos fazem com que os bombardeamentos durem três quinze dias. Ora, com guerras tão curtas, quem é que consegue sustentar uma família? À noite, quando o Nuno Rogeiro adormece, sonha que nasceu em meados do século XIV e que está nos estúdios da SIC a comentar a Guerra dos Cem Anos. MG
posted by Gato 11:25 da manhã

EM QUE É QUE FICAMOS? Agora que Pacheco Pereira é nosso vizinho na blogoesfera, é pertinente revelar que sempre achei curiosa a designação “liberal de esquerda” (não esquecer a colaboração do autor do Abrupto na revista Risco). Para que essa denominação fizesse algum sentido, era necessário que, etimologicamente, a palavra “liberal” significasse “não muito”. É também graças a essa designação que, até hoje, alimento a esperança de vir a conhecer um “comunista de direita”. MG
posted by Gato 11:23 da manhã

AGORA SIM, ISTO É UM BLOG!: No Pastilhas, o Miguel Esteves Cardoso - a primeira pessoa que eu ouvi a falar de blogs - considera-nos uma "cápsula", juntamente com a Coluna Infame e o Meu Pipi. Mais do que uma honra, é uma grande responsabilidade. E um gosto. Eu sempre gostei de pensar em mim como uma cápsula gigante de Ultra Levur, azulinha e branca. Um grande bem haja, MEC. ZDQ
posted by Gato 10:14 da manhã

segunda-feira, maio 19, 2003

HOMEM DE CRO-FELGUEIRAS?: O que me choca mais em Felgueiras é não ter visto lá uma única mulher – já não digo bonita – que não fosse feia. Pelo menos, a televisão não mostrou. E, se não mostrou, não existe. Outra coisa estranha é o facto de, no dia seguinte, quando se perguntava à populaça se era contra ou a favor do que se tinha passado, quem era a favor não falava bem o português. Eu vejo aqui um padrão. Depois de Foz Côa, depois das pegadas de dinossauros na Lourinhã, Portugal tem um sub-tipo humano. Parabéns a nós. Acho. ZDQ
posted by Gato 7:43 da tarde

QUE CHEIRO É ESTE? A partir de hoje, quando se tiver que tomar uma decisão difícil sobre a localidade onde construir uma co-incineradora ou um aterro sanitário, proponho que a solução passe a ser só uma: Felgueiras. MG
posted by Gato 12:03 da tarde

A ANDORINHA: Ao contrário do que muita gente da blogoesfera pensa, estou em crer que a Nova Democracia tem pernas para andar. O monteirismo tem futuro. Só que, primeiro, tem que se ver livre do Manuel Monteiro. MG
posted by Gato 11:59 da manhã

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Um blog com opiniões, nenhuma das quais devidamente fundamentada. Mantido por: Tiago Dores, Miguel Góis, Ricardo de Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela. E-mail: gatofedorento@hotmail.com

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