Gato Fedorento

domingo, abril 27, 2003

PUBICIDADE ENGANOSA: O José Mário Silva, no Blog de Esquerda, insurgia-se, há dias, contra um anúncio da Sagres Preta. Disse ele: "Eu fiquei parado diante do cartaz, a reflectir se seria o único a ver, naquele slogan da cerveja Sagres («A preta para quem gosta de preta»), um claríssimo tom neocolonialista. Na plataforma do metro, ao meu lado, estava a resposta. Um homem de meia-idade, careca, olhava para o mesmo cartaz, para o mesmo slogan. E o seu rosto era o espelho da nostalgia." Calculo que também tenha algo a dizer sobre a nova campanha do Café Delta, onde aparece um grão de café cuja imagem remete imediatamente para a vulva de uma negra (também poderá ser de uma branca, se ela estiver com uma infecção urinária). Diz a Delta que aquilo “faz bem ao coração”. Eu digo que, além de neocolonialista, racista e sexista, este é ainda mais grave do que o da cerveja, uma vez que atenta contra os valores dessa instituição basilar que é a Família, nomeadamente o pilar que é a fidelidade conjugal. O que aquele anúncio me diz é: “Homem, se tens problemas de coração, arranja uma amante negrita – uma doméstica da Guiné, por exemplo – para dar umas voltas sem que a tua mulher saiba!” Além disso, é publicidade enganosa! Não me parece que a melhor coisa para alguém com problemas de coração seja entrar em cobóiadas destas. Zé Mário, estou contigo! Vamos denunciar estes casos e depois vamos tratar de um indivíduo que eu vi no outro dia, no supermercado, a sorrir enquanto comparava publicidades a fraldas – sim, daquelas com crianças em pelota! Vê lá bem que o gajo até trazia um carrinho com um bebé, a quem chamava filho, só para disfarçar! ZDQ
posted by Gato 9:44 da tarde

E A CNN CALADINHA!: Meus amigos, não entrem já em pânico mas “o verniz estalou na apresentação do SACD de «Dark Side of the Moon»”. Não sou eu que o digo, é José Victor Henriques, o intrépido cronista do DNA que todas as semanas assina ali um texto sobre o sempre fascinante mundo da alta-fidelidade em geral, embora dedicando particular atenção à problemática dos sub-woofers. Na edição do passado sábado, o José Victor relata a grossa polémica que rebentou numa conferência de imprensa em Nova Iorque quando – preparem-se – “James Guthrie disse mal do DVD-Audio”. Ninguém sabe ao certo o que passou pela cabeça de Guthrie. Eu, que li o artigo, continuo mesmo sem saber quem é Guthrie. Mas os presentes deviam ter desconfiado que algo não estava bem quando, logo no início do seu discurso, ele lançou algumas farpas extremamente azedas referindo, por exemplo “o facto de a maior parte das pessoas continuar a confundir DVD-Audio com DVD-Vídeo, e de não saberem que 90% dos leitores-DVD existentes no mercado não têm capacidade para reproduzir as faixas multicanal de alta resolução do DVD-Audio.” Atenção: aqui, temos que dar o braço a torcer. Guthrie foi inconveniente? Foi, sim senhor. Foi deselegante? É um facto. Mas – admitamo-lo – o homem pôs o dedo na ferida: realmente, a maior parte das pessoas não sabe que 90% dos leitores-DVD existentes no mercado não têm capacidade para reproduzir as faixas multicanal de alta resolução do DVD-Audio. Isto acontece há anos perante a passividade das autoridades, e é chocante. Mas, se tivesse ficado por aqui, Guthrie teria saído da conferência de imprensa em ombros. Não foi, no entanto, o que aconteceu. Segundo José Victor Henriques, o caldo entornou-se “quando Guthrie (...) afirmou sem se rir que DVD-Audio não é um formato de alta resolução, porque, e cito: «Utiliza filtros de altas frequências para comprimir o sinal e ganhar espaço no disco, uma prática comum que é a negação de qualquer formato de alta resolução».” Ora, isto é completamente inadmissível. Guthrie tê-lo dito, é grave. Tê-lo dito sem se rir, já é estar a brincar connosco. Pergunto: quem é que lhe deu confiança para isto?
Esta minha indignação foi verbalizada na conferência de imprensa por um espectador que acusou Guthrie de “estar a falar de cor por nunca ter produzido nenhum DVD-Audio”. Guthrie, impertinente, teve a reacção que o leitor certamente já antecipou, tendo respondido com um previsível: “Então por que é que há por aí tantos DVD-Audio sem «nada» acima dos 20kHz, com filtragem agressiva tal como o velho CD?” Nisto, como nos conta José Victor Henriques, entram em cena nada mais nada menos que John Kellog e Craig Anderson. Kellog ainda se conteve, mas Anderson não esteve com meias medidas e atirou: “O Super Audio CD é que precisa de ser filtrado acima dos 50kHz para evitar que o ruído ultrasónico provoque oscilação nos amplificadores”.
A partir daqui, a discussão descambou para o insulto, com duas ou três referências bem desagradáveis sobre o canal dos graves do DVD-Audio, que merecia mais respeito, e o pudor impede-me de continuar a citar o competente relato de José Victor Henriques. Deixo ao critério do leitor o juízo sobre esta sangrenta contenda.
Pela minha parte, depois disto tudo só tenho uma certeza: a avaliar pelos textos que publica, José Victor Henriques não dorme com uma mulher desde os tempos do vinil. RAP
posted by Gato 8:05 da tarde

ANORMAL: Isto não é promoção ao programa em que eu e o RAP entramos (o que não seria negativo. Só que não é mesmo). Mas este pequeno filme é obrigatório. Cliquem na "promo" da direita. Não se vão arrepender. Cambada de chupistas... ZDQ
posted by Gato 7:06 da tarde

BELANOV: Obrigado ao José Mário Silva, do Blog de Esquerda, pela divulgação do Gato. Agora, agradecimentos à parte, não posso deixar passar a falsidade: então a camisola que eu envergava era o número 9? Plamordedeus! O Belanov, o rato das estepes, era o 7! Um pouco de rigor, senhores! É por estas e por outras que, em questões de números, não se pode confiar na esquerda! ZDQ
posted by Gato 4:53 da tarde

AH, POIS!: Este ano, para o 28 de Maio, vou ter o agrupamento musical “Ouriços do Mar”, da Ericeira, a tocar covers. Ah, e vão-se vender rifas para uma magnifica camisa preta DKNY. ZDQ
posted by Gato 4:44 da tarde

ZDQ: Zé Diogo Quintela tem razão quando fala das previsíveis comemorações do 25 de Abril. É preciso ser mais inventivo, que diabo! Querem um modelo? É fácil: as comemorações do 28 de Maio no lar de ZDQ. MG
posted by Gato 4:18 da tarde

TODOS A ALVALADE: Para evitar a propagação da pneumonia atípica, as autoridades chinesas estão a proibir a frequência de locais onde haja grande aglomeração de pessoas. O governo português já divulgou um ranking dos sítios mais seguros em Portugal, caso sejamos atingidos pela doença:

1º Estádio de Alvalade
2º Consultas de ginecologia em dias de saldos na Zara
3º Instalações de serviços públicos a partir das 15h. TD
posted by Gato 4:05 da tarde

A CAVE EM HOLLYWOOD: Eu até estava disposto a comprar a teoria do Kennedy ter sido assassinado por um atirador furtivo. Ou a comprar a ideia da guerra no Iraque não ser mais que uma acção humanitária... se fosse em suaves prestações. Agora, o mítico velocista Carl Lewis, detentor de nove medalhas de ouro e super herói na luta contra o mal - personificado pelo anabolizado Ben Johnson - confessar ter acusado três vezes positivo em controlos anti-doping nos anos 80, é demais! É muita aldrabice! Será que estes americanos foram mesmo à Lua? Por mim, dou o braço a torcer aos Red Hot Chili Peppers:

Space may be the final frontier
But it’s made in a Hollywood basement
TD
posted by Gato 3:23 da tarde

COMENTÁRIOS: Como já devem ter reparado, não possuímos espaço para comentários. A razão é simples: se o tivermos, vai estar sempre vazio e assim não podemos fingir que as pessoas nos lêem e comentam o que escrevemos, via mail. Por outro lado, receamos que alguém, ao ler um dos posts, pense “isto é fezes” e comente “ó meus amigos, isso é fezes”, deixando-nos sem argumentação em frente a toda a gente. Por isso, se nos quiserem dizer alguma coisa, façam-no para gatofedorento@hotmail.com. Prometemos ler o subject de todos os mails, abrir a maior parte, eventualmente ler alguns e responder a dois. Agora a sério, vamos responder a tudo e mais alguma coisa, porque ainda agora começámos e estamos muito excitados com isto tudo do blog!
posted by Gato 3:01 da tarde

O 25 DE ABRIL DE CARMELA: Para mostrar a abrangência social do Gato Fedorento, reproduzimos aqui o e-mail proveniente de uma camponesa, filha de um sindicalista da Marinha Grande.

“Chamo-me Carmela e quero aqui deixar o meu testemunho sobre o 25 de Abril. Recordo esta data com uma lágrima no canto do olho. É que esse foi o dia em que tirei a virgindade ao sobrinho dos patrões do meu pai. O meu pai, na altura, era caseiro da propriedade deles e o enfezado rapaz não parava de me perseguir. Eu não queria nada com ele, até porque tinha iniciado a minha vida sexual há já vários anos com homens bastante experientes e não me apetecia estar ali a desmamar crianças. Até que, uma noite, o meu pai vira-se para mim e diz:
“- Ó Carmela, reparei que o sobrinho dos burgueses não te larga. Porque é que tu não dás ao rapaz o que ele quer?”
E eu respondo:
“- O pai sabe muito bem que, nesta altura, estou com um forte ataque de chatos.”
E diz o meu pai:
“- Por isso mesmo, filha. Pensa nisso como a tua contribuição para a causa socialista: pegas o bicho mau ao patronato e, com sorte, infectas toda uma geração de reaccionários”.
E assim foi. Claro que o rapazito ficou todo contente por estar a possuir a filha de um proeminente sindicalista, mas mal sabia ele que estava a ser vítima de um novo tipo de terrorismo de extrema esquerda. Ainda hoje guardo na memória uma imagem poética: no preciso momento em que os arquivos da PIDE ardiam na sede, também a genitália do rapaz crepitava, tal era o ardor.
Em relação ao acto em si, acabei por descobrir que o rapaz, em termos sexuais, era muito precoce. Especialmente, no capítulo da ejaculação. Foram quinze segundos de profundo êxtase. Em termos políticos, a prestação sexual do petiz presta-se a uma profunda reflexão: como é que a burguesia quer controlar os meios de produção, se nem controla o seu próprio pénis?
Nessa noite, quando cheguei a casa, o meu pai recebeu-me com cravos vermelhos.
“- Então, filha? Como foi deitares-te na mesma cama que o grande capital?”
“- Ó pai, o capital pode ser grande, mas o resto é bastante pequeno.”
MG
posted by Gato 2:54 da tarde

FALTA DE IMAGINAÇÃO: Vinte e nove anos de 25 de Abril. Vinte e nove anos com os mesmos discursos inflamados, as mesmas passeatas na Avenida, os mesmos cânticos, as mesmas queixas, os mesmos inimigos... É impressão minha, ou a esquerda, desde que deixou de ser perseguida, perdeu a imaginação? ZDQ
posted by Gato 2:34 da tarde

ALGURES EM BAGDADE: Faruk, tenho de admitir que, mesmo estando o teu barraco todo destruído, estas duas estatuetas mesopotâmicas fazem a sala. É, não é, Faisal? Fariam um pendant muito bonito com o tapete, se eu não tivesse tido que o usar para enrolar o corpo do meu pai, depois de os fedayn o terem morto por dizer que o Saddam era só um presidente assim-assim, e isso... ZDQ
posted by Gato 2:01 da tarde

25 DE ABRIL, AH!: Há uns anos costumava-se dizer, em jeito de pilhéria, que o nome completo do João Pinto era João Pinto, Ah! Tudo porque os comentadores, quando relatavam os jogos, invariavelmente diziam qualquer coisa como: “Barbosa para Quaresma, Quaresma centra, vai ser golo! João Pinto... Ah!” E o anão falhava. Ora, para a maior parte da esquerda portuguesa, o nome completo do 25 de Abril é 25 de Abril, Ah! A ditadura do proletariado rente ao poste... O Campo Pequeno sobre a barra... E isto faz do 25 de Novembro um ganda guarda-redes. ZDQ
posted by Gato 1:44 da tarde

sábado, abril 26, 2003

MALDITOS IMIGRANTES: Segundo o Diário de Notícias, a direita em peso apresentou-se no Parlamento sem cravos. Não é, necessariamente, sinal de menosprezo pela data. Também pode ter sido para não dar dinheiro aos vendedores de flores indianos, que estão cá a tirar o lugar aos nossos. RAP
posted by Gato 10:59 da tarde

PARABÉNS ATRASADOS: Ontem, actividades várias (umas mais revolucionárias que outras) impediram-me de aqui escrever o seguinte: 25 de Abril sempre! Fascismo nunca mais! RAP
posted by Gato 1:29 da tarde

29 ANOS, 29 CENTÍMETROS: N’ A Coluna Infame, João Pereira Coutinho celebra, comovido, o Dia da Liberdade. Diz ele:

25 de Abril. Recordo esta data com uma lágrima no canto do olho. Foi no dia 25 de Abril que perdi, penhorado, a virgindade. Lembro-me bem: uma caseira dos meus tios que pululava pela herdade com os seus seios juvenis e fartos. A apanha dos morangos. O morgadinho - neste caso, eu - que se aproximou silenciosamente de Carmela (assim se chamava a petiza). E o encontro de dois corpos tomados por desejo insano, entre o galinheiro e a horta. O momento foi particularmente feliz porque Carmela era filha de um sindicalista da Marinha Grande que nutria pelo grande patronato um ódio desmedido e bestial. Foi o meu primeiro encontro com a Esquerda e a Revolução.

Agora vejam bem como é a vida. Não é que conheço uma história muito parecida, que se passou com um meu amigo? Chamemos-lhe Bernardo d’Orey Vasconcellos e Souza d’Almeyda e d’Andrade (nome fictício), para proteger a sua identidade. Também ele perdeu a virgindade no dia 25 de Abril. Foi com um moçambicano chamado Reinaldo. O “Bernardo” estava na herdade dos pais, no Alentejo, à sombra de um sobreiro, a ler. De manhã tinha lido o The Meaning of Conservatism, de Scruton e agora estava a acabar o Against the Current, de Isaiah Berlin. Já não iria começar o Rationalism in Politics and Other Essays, de Oakeshott, que tinha comprado em Londres no fim de semana anterior, porque foi nessa altura que apareceu o Reinaldo, a distribuir panfletos sobre a Reforma Agrária. O momento foi particularmente feliz para o meu amigo porque o Reinaldo acumulava funções no seu país: além de membro do comité central da Frelimo, era presidente do Grupo Desportivo dos Operários de Maputo, em cujos balneários granjeara a alcunha de “O Mastro”. Apodo, aliás, amplamente merecido, segundo o “Bernardo”. Foi o primeiro encontro desse meu amigo com a Esquerda e a Revolução. E ele nunca mais quis outra coisa. RAP

posted by Gato 1:27 da tarde

sexta-feira, abril 25, 2003

Gato Fedorento é, como o próprio nome indica, um blog de opiniões e de polémica. Aliás, a polémica começa logo nesta apresentação porque, dos quatro autores do Gato Fedorento, um acha que o blog não devia ter polémica, outro defende que não devia ter opiniões e outro entende que não devia ser um blog, mas sim um espectáculo de marionetas. O quarto não quis dar a sua opinião, atitude que os outros três consideraram polémica.
À partida, este blog apresenta-se com ideias claras e com um objectivo preciso. Infelizmente, perdemos o papel onde tínhamos isso apontado. Mas eram, de facto, ideias mesmo muito claras, e o objectivo, esse, era particularmente preciso.
Aqui serão abordados diversos temas, com destaque para estes: literatura, política, seios femininos, cinema, a carreira de Tonicha (em especial o período que medeia entre 1977 e 1981) e futebol.

posted by Gato 3:59 da tarde

quarta-feira, abril 23, 2003

Gato fedorento
Gato fedorento
Que comida é que te andam a dar?

Gato fedorento
Gato fedorento
A culpa não é tua.
posted by Gato 4:26 da tarde

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Um blog com opiniões, nenhuma das quais devidamente fundamentada. Mantido por: Tiago Dores, Miguel Góis, Ricardo de Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela. E-mail: gatofedorento@hotmail.com

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